set 10 2011

Mais do mesmo…

Ultimamente tenho tido problemas diversos… Na tentativa de solucioná-los, acabei me enrolando com o tempo.

Este mesmo tempo que aparentemente me mantém livre, me gerou conflitos durante uma tentativa falida de controlá-lo. Nos dias atuais, eu gostaria que fosse mesmo possível que o dia tivesse mais horas que as convencionais 24… Gostaria que fosse possível mudar algumas coisas de maneira prática, por mais complexas que parecessem. Ficaria mesmo feliz com a simples resposta definindo uma certeza, seja do sim ou do não.

Ando mesmo preocupado, e sei que tenho motivos…

Andei vasculhando antigos blogs que acompanho e li algo parecido com o que possivelmente deverei enfrentar… Espero contornar a situação, e finalmente voltar a minha rotina.


fev 28 2011

Insalubridade e Perseverança…

Há alguns dias atrás eu chegava em casa cansado, tomava banho, pegava algo para comer e me dirigia ao PC. Esta é minha rotina noturna, todos os dias após o trabalho. Durante este trajeto, do trabalho até em casa, vejo e ouço no ônibus algumas histórias (ou estórias, tamanha a quantidade de percalços) que me prendem a atenção. Ouvir conversa alheia é feio, dizem, mas não se trata disto. Fato é que tais personagens que povoam o referido trajeto fazem questão de mostrar o quanto sofrem, para si e para todos os outros em volta, caso contrário o diálogo seria em tom ameno e não haveriam alaridos.

Quando canso de vivenciar histórias dos outros, plugo meus fones de ouvido e trato de dar um "ponto final" ouvindo algo mais agradável… Música!

Mas em outros momentos, meus instintos de observância me fazem captar detalhes as vezes interessantes destes seres e fatos estranhos. É incrível a disputa do "E eu?!"… As pessoas têm prazer em se martirizarem com fatos ruins da vida, falam com tamanha fidelidade que acabam tomando-os como filhos. Mas sempre há alguém que se encontra em situação pior, e começa uma disputa ferrenha.

"E eu?!"

E começa a contar:

Como perdeu o marido para outra mulher, como o filho sofre no colégio, como a filha engravidou e foi abandonada, como o sobrinho morreu, como a doença a deixou…

Mas a contraparte também não se deixa humilhar por tão pouco, e logo começa:

Como perdeu o marido para outro homem, como o filho largou o colégio pelas drogas, como a filha pegou uma DST e vai morrer logo, como tem uma doença incurável…

Ás vezes chego a pensar que a lista é infindável… Mas, hipoteticamente chegaria ao ponto final… Porém, quando suas histórias de vida já não parecem mais tão cruéis e a batalha do "E eu?!" está para terminar, surge logo a vida alheia trazendo um novo fôlego… Já que meus problemas não são suficientes pra você eu sei quem tem coisa pior… E daí continua alimentando a guerra com munição nova e inesgotável, pois todos seus parentes, amigos, conhecidos e desconhecidos têm problemas absurdos.

Mas, o que me deixa mesmo espantado com tudo isso?

É o valor… O valor que a maioria de nós damos as coisas negativas da vida… Estas já não valem mais o que são… Superfaturadas pesam muito mais, doem muito mais, matam muito mais… Reclamamos muito do que nos acontece de ruim a cada dia, que até deixamos passar despercebido as boas coisas. Fazemos questão de nos entranhar em todas as sombras que encontramos no caminho, apenas para dizer que nossa vida é muito ruim, e para que outros vejam e confirmem o quanto é mesmo ruim a nossa vida.

É incrível como até na miséria somos egoístas. Uma humanidade medíocre que se execra no odor do suor dos outros. É incrível ver e ouvir o quanto estas pessoas determinam, limitam e destroem a si mesmos. É incrivelmente ruim, observar e quase fazer parte deles, mesmo que por poucos minutos, e saber que por pouco você também não é assim, pois o vírus está no sangue de toda a raça humana, o vírus da estupidez.

Mas num determinado dia, minha rotina mudou…

As coisas foram caminhando como sempre… O trabalho, as histórias miseráveis no ônibus, o banho, a comida, o PC… E então me apareceu um vídeo sobre um americano que me fez mudar minha rotina e inserir um novo tópico ao final da pequena maratona rotineira…

Refletir sobre o quão bom foi o dia!

Nada direi a partir de agora… Apenas assista a este vídeo.

 

Este é Nick Vujicic… Sem braços… Sem pernas… Sem problemas!

nov 10 2010

Anjos e sapatos…

Luiza era uma menina simples, com tão poucos amigos quanto qualquer criança de seis anos. Seus colegas da escolinha não eram dos mais acolhedores, as vezes eram perversos o suficiente para deixar a menina encolhida no canto da sala.

Era uma menina baixinha, de aparência bela, pele quase pálida como uma escultura em mármore, mas não era exatamente o que mais chamava a atenção. Aquela menininha gordinha usava óculos grandes, de lentes quase redondas, óculos tais que a deixavam com uma cara engraçada. Ao menos era este o mais próximo de um elogio, que a menina conseguia ouvir.

Certo dia, chorosa ao canto, sofria a menina uma vez mais… Seus olhos marejados espremiam um rio de lágrimas por sua face, e sua boca tremula fazia um arco, daqueles que se encontra o vértice acima das raizes.

Não era tão simples, quanto uma função de segundo grau, a tristeza da garotinha, pois há tempos sofria com os colegas malvados, e sentia falta de um amigo verdadeiro…

Enquanto seus olhos derramavam lágrimas encharcando todo o vestido amarrotado, as imagens do ocorrido não deixavam de passar por sua cabecinha. Seus implicantes colegas teriam tomado a força seus sapatos e seus óculos, e jogado para longe, onde a menina não poderia alcançar nem se conseguisse enxergá-los… Neste momento, parou ao seu lado um homem, baixinho, e sem falar nada, acariciou os cachos longos da Lu chorona.

Ao levantar os olhos, Luiza deparou-se com algo que chamou muito a sua atenção… O homenzinho de ombros retos, face limpa e olhos brilhantes, além de penquenino, estava também descalço. Sua racionalidade a fez secar os olhos e perguntar-lhe.

– Moço pequenino, sua mamãe não lhe disse para usar sapatos ?

Tão suave quanto seus passos ao chegar, respondeu-lhe o homezinho de pés descalços.

– Luiza. Sai deste canto menina chorosa, e vem comigo… Onde não se precisa sapatos, usa-se asas!


out 29 2010

Três noites, um dia…

Levantei hoje com sensação de esquecimento. Lembrava-me nitidamente do sonho interrompido pelo barulho do ambiente alheio ao meu quarto. Janelas entreabertas, permitiam que feches de luz adentrassem o ambiente frio e obscuro, fazendo um esquema de luz dançante enquanto as cortinas lançavam-se ao sabor do vento.

Segundos antes de abrir os olhos, vieram-me memórias embaciadas, daquelas que não se sabe ao certo até onde é real. Lembro de fatos desconexos e imagens unidas pelo esforço de recompor a realidade. Sinto os dedos frios e o tórax quente, e um pulsar frenético de um tambor compassado.

Repentinamente… Sou todo dores…
Da panturrilha jogada para fora do colchão ao pescoço estranhamente arqueado. Enquanto uma onda quente atravessa meus músculos, fazendo-os alívio, traz consigo movimentos por um momento esquecidos, deixados para trás na noite anterior.

Mais lembranças começam a formar nas retinas, enquanto permaneço imóvel tomado pela preguiça e pela anestesia do letargo, aprofundando ainda mais minha confusão temporal…

– Até onde minha mente esteve desperta?

Lembro do celular esquecido que me fez levantar pouco antes de receber areia nos olhos… Lembro do barulho irritante que me fez despertar a noite antes de ser completamente ignorado pelos tímpanos… Lembro do abrir e fechar da porta esquecida sem tranca… Lembro dos passos pesados de alguém que caminhava no andar superior.

 

– Até onde meu subconsciente esteve agindo?

Lembro dos grãos de areia de um deserto escaldante… Lembro do sussurro quase inaudível da mulher de turbante… Lembro dos olhos ternos da amiga distante… Lembro do abraço apertado de um amor sufocante.

Sei que tudo isso, somando os momentos desconexos com as imagens espalhadas, leva-me a crer que a noite se passou em momentos diferentes e simultâneos, eu estava em três lugares e definitivamente foi possível sim… Só não sei ao certo qual era o terceiro… Um deles foi a realidade crua, o outro, o reino dos devaneios, mas o terceiro está escondido, num patamar completamente isolado da minha compreensão…

Abro os olhos com tamanha demora… Enquanto isso, minha mente confisca tais lembranças numa ilha envolta em olvido.

"Chega uma hora em que a mente alcança um plano mais alto de conhecimento mas nunca consegue demonstrar como chegou lá."
(Albert Einstein)


out 10 2010

Ninguém…

Deitado entre destroços, sofre João o peso do mundo discrente do seu ser irônico, que de lampejos de incredulidade vibram as buzinas dos carros entre seus ouvidos pobres. Sua audição pouco prestigiosa gera um conforto merecido e cômico,  dormir ao relento é tarefa difícil numa metrópole que nunca dorme.

Desde a infância num beco sem fim viveu, cujo nome é lembrança doce, pois de criança nem tudo foi bréu. Beco tal que se recorda desde o seu primeiro conflito banal, que de menino sofre e enrigesse ter da vida sempre o lado mau.

Criaturas noturnas, animais sem fé, onde a lei é contra a vida e viver é chance rara. Treze anos é longo tempo em lugares a migué, onde sua vida dura lhe ensinara, ser homem cedo mas com maldade, vem com a fome e o crime que cala, vem com o medo donde não há liberdade, vem sem proteção e sem mandala.

João é farto de vida curta, embora criança, adulto formado. Segue livre e leve de culpa, frequente marginalizado. Soa sabores, desejos bandidos, soa tambores, batuques em prato. Quando com fome não sofre sorrindo, ainda sem nada ou pouco vintem, segue brincando em farrapo o menino, morrendo no âmago o João Ninguém.

"Quando nossa consciência será tão carinhosa que agiremos para evitar a miséria humana ao invés de vingá-la?"
(Eleanor Roosevelt)