out 2 2010

Consciência

Por vezes, ouço que mudar meus conceitos é duro, tarefa árdua, chamam-me “teimoso”, digo a todos que não se trata de teimosia, pois até as pedras mudam de tanto rolar, mas de coerência com o ser que sou. Este ser que sempre fui – não me tornei, sempre fui – aceita regras do mundo mas não as deixa controlar sua mente.

Por quê? Por que preciso mudar de idéia?
Pro quê? Por que é tão desconfortável para você?
Faz-me perguntas e não queres respostas? – Incoerente, no mínimo!

Não costumo mudar meus pensamentos de forma tão fácil, como se nada do que pensasse fosse aproveitável, sinto mesmo… Não, não – em verdade – sinto nada… E não mudarei meus absurdos apenas porque alguém desacredita, quer mesmo me fazer mudar, justifique-se de maneira coesa, faça-me enxergar, mas não pense que seguirei sem antes analisar… Neste ponto, mais uma afirmação, com o perdão da palavra, tola!

"Mas você sempre tem alguma justificativa para o que você pensa! Você sempre tem isso pronto!"

Lógico, diferente da maioria das pessoas eu acredito nas coisas que encontro como resposta, não nas que me dizem ser resposta, e antes de acreditar, reflito… Não aceito verdades incontestáveis, até que eu mesmo chegue nesta conclusão… É para isso que tenho um cérebro, sou capaz de discernir, pensar, organizar e produzir conhecimentos. Não me permito ser fantoche, não nasci com o conforto de fechar os olhos e deixar que alguém me guie. Por outro lado, posso te ouvir, sempre… Acredite… Mas isto não significa que concorde com o que dirás.

Não sou boneco de moldar, que puxa daqui, puxa dali e toma forma de coisa qualquer até sua massa se desmanchar na ruína de viver pensamentos alheios sem antes questionar, aceitando o tal “Por que, é!”.

Mas se você é tão maleável, que bom… Pode-se dar o prazer de viver cada dia da sua vida num tom, em cores singulares. Mas, digo-lhe finalmente, que prefiro meu mundo cor e tons de cinza, a passar a vida mudando de idéia nos dissabores dos outros.

"A minha consciência tem para mim mais peso do que a opinião do mundo inteiro."
(Cícero)


out 1 2010

Só mais uma página…

Existem momentos em que o ócio é tudo o que temos… Não apenas o vazio escancarado do silêncio corroendo os pensamentos e povoando a mente com bobagens ilusórias, mas o prazer de se fazer algo que gostamos, ainda que para isso seja necessário povoar a mente com asneiras.

Em momentos anteriores, por vezes eu repeti a seguinte frase:

"O tempo que você gosta de perder não é tempo perdido." (Bertrand Russell)

E isto é uma verdade incontestável… Alguém, algum dia, resolveu escrever o que aprendera… Alguém, muito tempo atrás, resolveu contar para quem escrevesse um momento passado… Alguém, antes mesmo de quase tudo que hoje existe, resolveu gravar seu conhecimento em pedra… E destes fatos, em completa desordem cronológica, surgiu em algum momento um objeto cheio de mistério, pavores, desejos, sorrisos, balelas, informações, sentimentos e astúcias…

O LIVRO!

Sei que há muito tempo atrás, este por sua vez, esteve bem distante de mim… não que não pudesse tocá-lo, mas distante o suficiente para que o desinteresse consumisse meu desejo… Eis que tal sentimento irônico sucumbiu diante a curiosidade audaz, e virou vício!

Hoje, livros são mundos, e uma mente bisbilhoteira nunca deixa um mundo num invólucro indecifrável… Destes mundos, alguns prendem a atenção com literais ambientes esculpidos em palavras, outros preferem dar sigilo e obter ondas de calafrios como repostas. Mas, em verdade, pouco importa qual é o seu mundo… O valor está em decifrá-lo, está no quanto tempo você ainda gostaria de perder para, assim, continuar a consumir até as últimas linhas.

Bem, agora devo pedir licença…

Só mais uma página…

"Os livros têm os mesmos inimigos que o homem: o fogo, a humidade, os bichos, o tempo e o próprio conteúdo."
(Paul Valéry)