out 10 2010

Ninguém…

Deitado entre destroços, sofre João o peso do mundo discrente do seu ser irônico, que de lampejos de incredulidade vibram as buzinas dos carros entre seus ouvidos pobres. Sua audição pouco prestigiosa gera um conforto merecido e cômico,  dormir ao relento é tarefa difícil numa metrópole que nunca dorme.

Desde a infância num beco sem fim viveu, cujo nome é lembrança doce, pois de criança nem tudo foi bréu. Beco tal que se recorda desde o seu primeiro conflito banal, que de menino sofre e enrigesse ter da vida sempre o lado mau.

Criaturas noturnas, animais sem fé, onde a lei é contra a vida e viver é chance rara. Treze anos é longo tempo em lugares a migué, onde sua vida dura lhe ensinara, ser homem cedo mas com maldade, vem com a fome e o crime que cala, vem com o medo donde não há liberdade, vem sem proteção e sem mandala.

João é farto de vida curta, embora criança, adulto formado. Segue livre e leve de culpa, frequente marginalizado. Soa sabores, desejos bandidos, soa tambores, batuques em prato. Quando com fome não sofre sorrindo, ainda sem nada ou pouco vintem, segue brincando em farrapo o menino, morrendo no âmago o João Ninguém.

"Quando nossa consciência será tão carinhosa que agiremos para evitar a miséria humana ao invés de vingá-la?"
(Eleanor Roosevelt)