out 24 2010

Caveiraaaa!

É, começo esse post de forma mais simples possível…

Veja TROPA DE ELITE II…

Se você já assistiu, ótimo, se não… corra e assista!

Nosso cinema não é muito valorizado. Eu mesmo critico muitos filmes brasileiros, as vezes pelo tema pouco atrativo, outras vezes pelo roteiro pouco explorado, mas sempre dou ponto a muitas atuações.

O tema foi o melhor possível… Política! E nestes tempos de Eleições em que vivemos, é melhor ainda assisti-lo e repensar o que nossos políticos estão fazendo com o país.

Nossos atores são extremamente habilidosos com a arte que fazem. Neste filme, Tropa de Elite II, o cinema inteiro assistiu em estado de transe, num delírio hipnótico, a todas as cenas. Poucas pessoas conseguiram sair da sala, tamanha era a atenção. Parabéns a todos os envolvidos neste trabalho alucinante…

O resultado foi daqueles que dão orgulho de dizer, é um Filme Brasileiro!

É um filme que retrata a realidade, talvez não com toda a crueldade que o mundo real nos oferece, mas com quase tudo que um filme poderia nos doar! Não me arrependi de tê-lo assistido… Aliás, foi um daqueles dias em que não me arrependi de nada! Se houvesse tempo, o faria denovo!

“Imagine abordar um político como se aborda um traficante…”
(Tropa de Elite II)


out 17 2010

Voto?!

Política… Tema de absurdos.

Definitivamente no Brasil, nós eleitores não sabemos votar… A população brasileira está completamente controlada pela ignorância!

Mas quem é o culpado?! Em verdade, nem sei se existe um culpado, ou melhor, se existe um único culpado… Sou um dos compatriotas que trabalham nas eleições, e desta experiência longa como Presidente da Seção, afirmo com toda a certeza…

– Brasileiros não sabem votar.

Não entendem o que significa o voto. E não sabem o quanto é importante comparecer para fazer seu papel de cidadão… E além de tudo, entre 70 e 80% dos que comparecem, nem sabem o que é ser cidadão, agem como se estivessem interpretando um personagem de teatro, como se aquilo tudo não passasse de um “faz de conta”…

Enganados? Não!…

Estamos, sim, num teatro. O famigerado “Teatro da Vida”, donde não se pode negar participar e não se tem direito a ensaios…

O Momento do voto não passa de um martírio para muitos, em terras como a minha (Salvador-BA), muitos levantam cedo, não por que fazem questão de comparecer para exercer seu direito, mas por que querem mesmo é fugir o mais rápido possível daquele ambiente desagradável. Para onde? Praia! (É mesmo desagradável, do meu ponto de vista, dos quase 400 eleitores da seção em que trabalho, ao menos 80% vai apenas por ir)

Com toda certeza, em outras cidades a situação não é muito diferente, ainda que não hajam praias, sei que os eleitores agem desta forma despreparada, incoerente e estúpida… Não todos, mas a maioria que decide pra onde vai a fortuna nacional, a NOSSA FORTUNA!

Mas que direito é esse, que se faz obrigatório?!

Interessante como nós temos tantos direitos, e nem ao menos os conhecemos, pois os que dirigem esta nação, fazem questão que não saibamos. Mais interessante ainda, é que estes mesmos políticos, fazem também questão de deixar claro que votemos!

Que direito tão especial é esse? Que direito é esse que faz uma pessoa inescrupulosa abrir bem a boca e dizer em bom tom!

O VOTO É UM DIREITO SEU!

É lógico que isto não é por acaso… Este é o único direito obrigatório que você tem, o resto, o próprio governo faz questão de esquecer por você… Mas esse não, por quê?

Para quem não entendeu até agora, serei o mais claro e objetivo possível!

Por que eles sempre te lembram deste direito?! Fácil… Este seu direito, é o único direito que não lhe dá nenhuma vantagem direta, pois além de tudo, os mais interessados são os próprios políticos!

Por que a obrigação?! Ainda mais fácil… É muito mais simples controlar as massas a votarem sendo este voto obrigatório… Joãozinho tem de comparecer de uma forma ou de outra, o político apenas dá um incentivo, paga uma determinada quantia em dinheiro ou em produtos, e compra o voto do pobre e desinformado João!

Se em nosso país o voto não fosse obrigatório, 90% dos eleitores “votantes” seriam os interessados no processo político do país, desses que sabem o que significa mercado, valores e principalmente política. Mas, quantos outros eleitores se recusariam a ir até as urnas para fazer valer seu voto? Acredito, pela minha experiência no processo, que em torno de 70% nem lembraria que aquele era um domingo de eleição! Isto causaria o “CAOS” de qualquer forma, pois talvez a definição política fosse para esta mesma minoria que votou, e nada mais.

Nas condições que vejo hoje neste país, sou a favor do voto obrigatório, ao menos assim, um dia o povo pode acordar e ver, ainda que não entenda, que sempre foi enganado por campanhas eleitoreiras.

"Ok Alan… Mas por que afirmar que não há apenas um culpado? O Governo faz isto de propósito!"

É, ele faz… Mas ainda continuo a afirmar, simplesmente, por que hoje em dia as coisas estão debaixo dos nossos narizes, acontecem abertamente… É dinheiro na cueca, nas meias, em ceias de natal, em pequenos “mimos” para filhos e amigos… É dinheiro nos bolsos do paletó, nas malas, em cartões de crédito e licitações ilícitas… Mas o interessante, é que o cenário político nacional continua o mesmo.

Odeia votar?

Estude a política, sinta nojo dela, vá a fundo, pesquise o passado, entenda o processo e… Adote seu voto… Ele anda jogado às traças!

Na próxima eleição, antes de votar no Tiririca apenas por que ele fez umas piadinhas, vote no Francisco Everardo Oliveira Silva, se o mesmo for uma pessoa séria e comprometida!

"A política é como a esfinge da fábula: devora todos que lhe não decifram os enigmas."
(Antoine Rivarol)


out 10 2010

Ninguém…

Deitado entre destroços, sofre João o peso do mundo discrente do seu ser irônico, que de lampejos de incredulidade vibram as buzinas dos carros entre seus ouvidos pobres. Sua audição pouco prestigiosa gera um conforto merecido e cômico,  dormir ao relento é tarefa difícil numa metrópole que nunca dorme.

Desde a infância num beco sem fim viveu, cujo nome é lembrança doce, pois de criança nem tudo foi bréu. Beco tal que se recorda desde o seu primeiro conflito banal, que de menino sofre e enrigesse ter da vida sempre o lado mau.

Criaturas noturnas, animais sem fé, onde a lei é contra a vida e viver é chance rara. Treze anos é longo tempo em lugares a migué, onde sua vida dura lhe ensinara, ser homem cedo mas com maldade, vem com a fome e o crime que cala, vem com o medo donde não há liberdade, vem sem proteção e sem mandala.

João é farto de vida curta, embora criança, adulto formado. Segue livre e leve de culpa, frequente marginalizado. Soa sabores, desejos bandidos, soa tambores, batuques em prato. Quando com fome não sofre sorrindo, ainda sem nada ou pouco vintem, segue brincando em farrapo o menino, morrendo no âmago o João Ninguém.

"Quando nossa consciência será tão carinhosa que agiremos para evitar a miséria humana ao invés de vingá-la?"
(Eleanor Roosevelt)


out 2 2010

Consciência

Por vezes, ouço que mudar meus conceitos é duro, tarefa árdua, chamam-me “teimoso”, digo a todos que não se trata de teimosia, pois até as pedras mudam de tanto rolar, mas de coerência com o ser que sou. Este ser que sempre fui – não me tornei, sempre fui – aceita regras do mundo mas não as deixa controlar sua mente.

Por quê? Por que preciso mudar de idéia?
Pro quê? Por que é tão desconfortável para você?
Faz-me perguntas e não queres respostas? – Incoerente, no mínimo!

Não costumo mudar meus pensamentos de forma tão fácil, como se nada do que pensasse fosse aproveitável, sinto mesmo… Não, não – em verdade – sinto nada… E não mudarei meus absurdos apenas porque alguém desacredita, quer mesmo me fazer mudar, justifique-se de maneira coesa, faça-me enxergar, mas não pense que seguirei sem antes analisar… Neste ponto, mais uma afirmação, com o perdão da palavra, tola!

"Mas você sempre tem alguma justificativa para o que você pensa! Você sempre tem isso pronto!"

Lógico, diferente da maioria das pessoas eu acredito nas coisas que encontro como resposta, não nas que me dizem ser resposta, e antes de acreditar, reflito… Não aceito verdades incontestáveis, até que eu mesmo chegue nesta conclusão… É para isso que tenho um cérebro, sou capaz de discernir, pensar, organizar e produzir conhecimentos. Não me permito ser fantoche, não nasci com o conforto de fechar os olhos e deixar que alguém me guie. Por outro lado, posso te ouvir, sempre… Acredite… Mas isto não significa que concorde com o que dirás.

Não sou boneco de moldar, que puxa daqui, puxa dali e toma forma de coisa qualquer até sua massa se desmanchar na ruína de viver pensamentos alheios sem antes questionar, aceitando o tal “Por que, é!”.

Mas se você é tão maleável, que bom… Pode-se dar o prazer de viver cada dia da sua vida num tom, em cores singulares. Mas, digo-lhe finalmente, que prefiro meu mundo cor e tons de cinza, a passar a vida mudando de idéia nos dissabores dos outros.

"A minha consciência tem para mim mais peso do que a opinião do mundo inteiro."
(Cícero)


out 1 2010

Só mais uma página…

Existem momentos em que o ócio é tudo o que temos… Não apenas o vazio escancarado do silêncio corroendo os pensamentos e povoando a mente com bobagens ilusórias, mas o prazer de se fazer algo que gostamos, ainda que para isso seja necessário povoar a mente com asneiras.

Em momentos anteriores, por vezes eu repeti a seguinte frase:

"O tempo que você gosta de perder não é tempo perdido." (Bertrand Russell)

E isto é uma verdade incontestável… Alguém, algum dia, resolveu escrever o que aprendera… Alguém, muito tempo atrás, resolveu contar para quem escrevesse um momento passado… Alguém, antes mesmo de quase tudo que hoje existe, resolveu gravar seu conhecimento em pedra… E destes fatos, em completa desordem cronológica, surgiu em algum momento um objeto cheio de mistério, pavores, desejos, sorrisos, balelas, informações, sentimentos e astúcias…

O LIVRO!

Sei que há muito tempo atrás, este por sua vez, esteve bem distante de mim… não que não pudesse tocá-lo, mas distante o suficiente para que o desinteresse consumisse meu desejo… Eis que tal sentimento irônico sucumbiu diante a curiosidade audaz, e virou vício!

Hoje, livros são mundos, e uma mente bisbilhoteira nunca deixa um mundo num invólucro indecifrável… Destes mundos, alguns prendem a atenção com literais ambientes esculpidos em palavras, outros preferem dar sigilo e obter ondas de calafrios como repostas. Mas, em verdade, pouco importa qual é o seu mundo… O valor está em decifrá-lo, está no quanto tempo você ainda gostaria de perder para, assim, continuar a consumir até as últimas linhas.

Bem, agora devo pedir licença…

Só mais uma página…

"Os livros têm os mesmos inimigos que o homem: o fogo, a humidade, os bichos, o tempo e o próprio conteúdo."
(Paul Valéry)