Três noites, um dia…

Levantei hoje com sensação de esquecimento. Lembrava-me nitidamente do sonho interrompido pelo barulho do ambiente alheio ao meu quarto. Janelas entreabertas, permitiam que feches de luz adentrassem o ambiente frio e obscuro, fazendo um esquema de luz dançante enquanto as cortinas lançavam-se ao sabor do vento.

Segundos antes de abrir os olhos, vieram-me memórias embaciadas, daquelas que não se sabe ao certo até onde é real. Lembro de fatos desconexos e imagens unidas pelo esforço de recompor a realidade. Sinto os dedos frios e o tórax quente, e um pulsar frenético de um tambor compassado.

Repentinamente… Sou todo dores…
Da panturrilha jogada para fora do colchão ao pescoço estranhamente arqueado. Enquanto uma onda quente atravessa meus músculos, fazendo-os alívio, traz consigo movimentos por um momento esquecidos, deixados para trás na noite anterior.

Mais lembranças começam a formar nas retinas, enquanto permaneço imóvel tomado pela preguiça e pela anestesia do letargo, aprofundando ainda mais minha confusão temporal…

– Até onde minha mente esteve desperta?

Lembro do celular esquecido que me fez levantar pouco antes de receber areia nos olhos… Lembro do barulho irritante que me fez despertar a noite antes de ser completamente ignorado pelos tímpanos… Lembro do abrir e fechar da porta esquecida sem tranca… Lembro dos passos pesados de alguém que caminhava no andar superior.

 

– Até onde meu subconsciente esteve agindo?

Lembro dos grãos de areia de um deserto escaldante… Lembro do sussurro quase inaudível da mulher de turbante… Lembro dos olhos ternos da amiga distante… Lembro do abraço apertado de um amor sufocante.

Sei que tudo isso, somando os momentos desconexos com as imagens espalhadas, leva-me a crer que a noite se passou em momentos diferentes e simultâneos, eu estava em três lugares e definitivamente foi possível sim… Só não sei ao certo qual era o terceiro… Um deles foi a realidade crua, o outro, o reino dos devaneios, mas o terceiro está escondido, num patamar completamente isolado da minha compreensão…

Abro os olhos com tamanha demora… Enquanto isso, minha mente confisca tais lembranças numa ilha envolta em olvido.

"Chega uma hora em que a mente alcança um plano mais alto de conhecimento mas nunca consegue demonstrar como chegou lá."
(Albert Einstein)


One Response to “Três noites, um dia…”

  • Geane Melo Says:

    Eh,as vzes os pensamentos se confundem,consciente e inconsciente,esse meio termo entre essas duas palavras pra mim é o subconsciente,ele oscila entre os dois patamares na nossa cabeça,ter o controle de algo assim é extraordinário,pois em maioria são nesses níveis de visão q encontramos algumas respostas q muitos não entendem,tento trabalhar ao máximo o meu,mas infelizmente não obtive ainda mt sucesso,rsrs.
    Como sempre escrevendo muito bem e passando mensagens imprescindíveis,beijos!!!

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