nov 10 2010

Anjos e sapatos…

Luiza era uma menina simples, com tão poucos amigos quanto qualquer criança de seis anos. Seus colegas da escolinha não eram dos mais acolhedores, as vezes eram perversos o suficiente para deixar a menina encolhida no canto da sala.

Era uma menina baixinha, de aparência bela, pele quase pálida como uma escultura em mármore, mas não era exatamente o que mais chamava a atenção. Aquela menininha gordinha usava óculos grandes, de lentes quase redondas, óculos tais que a deixavam com uma cara engraçada. Ao menos era este o mais próximo de um elogio, que a menina conseguia ouvir.

Certo dia, chorosa ao canto, sofria a menina uma vez mais… Seus olhos marejados espremiam um rio de lágrimas por sua face, e sua boca tremula fazia um arco, daqueles que se encontra o vértice acima das raizes.

Não era tão simples, quanto uma função de segundo grau, a tristeza da garotinha, pois há tempos sofria com os colegas malvados, e sentia falta de um amigo verdadeiro…

Enquanto seus olhos derramavam lágrimas encharcando todo o vestido amarrotado, as imagens do ocorrido não deixavam de passar por sua cabecinha. Seus implicantes colegas teriam tomado a força seus sapatos e seus óculos, e jogado para longe, onde a menina não poderia alcançar nem se conseguisse enxergá-los… Neste momento, parou ao seu lado um homem, baixinho, e sem falar nada, acariciou os cachos longos da Lu chorona.

Ao levantar os olhos, Luiza deparou-se com algo que chamou muito a sua atenção… O homenzinho de ombros retos, face limpa e olhos brilhantes, além de penquenino, estava também descalço. Sua racionalidade a fez secar os olhos e perguntar-lhe.

– Moço pequenino, sua mamãe não lhe disse para usar sapatos ?

Tão suave quanto seus passos ao chegar, respondeu-lhe o homezinho de pés descalços.

– Luiza. Sai deste canto menina chorosa, e vem comigo… Onde não se precisa sapatos, usa-se asas!