set 19 2016

O Sabor da Lágrima

A lágrima natural tem um sabor inquietante: encorpado, vivo, honesto e que pode variar entre doce e o ácido.

Sem rodeios, o sabor de uma lágrima de felicidade é o melhor do mundo e eu posso afirmar que já provei, tenho convicções e também provas…

Mas o sabor de uma lágrima de tristeza, esse é com certeza o mais ácido, amargo, áspero, pesado e rígido quanto se pode imaginar… Não posso dizer que já provei do pior, mas hoje foi dos piores que já provei…

Hoje eu tentei,
Hoje eu falhei mais uma vez.


ago 28 2012

Pura realidade…

Tenho visto muita coisa acontecendo a minha volta, coisas boas e ruins. Fatalmente, meu senso crítico começa a trabalhar de forma intensa com determinadas situações.

Sinceramente não sei como ainda posso ficar espantado com certas coisas… As pessoas tendem a demonstrar o quanto a nossa sociedade está decaindo quando começam a tomar partido pelo lado menos, digamos, ideal.

Há alguns poucos dias atrás aconteceu um crime monstruoso e simplesmente vi algumas pessoas culpando as vítimas pelo próprio fato ocorrido, tirando qualquer possibilidade de punição, em suas opiniões absurdas e infundadas, dos criminosos.

Que sociedade é essa?

Como pode haver tanta discrepância?

Como uma sociedade consegue sobreviver desta forma?

Não vou entrar nos méritos criminais, mas se uma pessoa não é responsabilizada pelo seu próprio ato, praticado de forma consciente, por qual outra forma ela seria responsável?… Ainda pior é ouvir comentários quase coniventes ao fato. Defesas veementes em favor dos carrascos. Começo a ter ideia real do quanto a sociedade está fracassada. Seus padrões de moral completamente deturpados pela falta de discernimento social, uma ferida aberta e necrosada que se alastra com velocidade.

Não creio que haja restauração rápida o suficiente, ou conhecimento que possa tornar possível essa “mágica”, mas acredito na possibilidade de uma mudança lenta, um remédio para impedir o avanço desta ferida e que atue numa recuperação necessária mas que, infelizmente, deixará uma grande cicatriz.

Sem a cultura, e a liberdade relativa que ela pressupõe, a sociedade, por mais perfeita que seja, não passa de uma selva.  (Albert Camus)


set 23 2011

Companhia

Tic-tac-tic-tac… De maneira intermitente faz o relógio barulhento na parede da sala… Tic-tac-tic-tac… Conta os segundos, irritante, no silêncio infernal.

Nada há para ser feito nesta noite quente, num inverno meio louco. Faz-se frio o dia inteiro, mas a noite escapa a compreensão. É calor, mas não é pouco. E se ainda frio, congela o ar de maneira sombria.

O barulho do relógio disputa de forma insistente contra o cair da chuva, enquanto o arrasto grosseiro da água sobre a rua faz-se notar.

 

Badaladas.

 

O tempo, arrastado, passa trazendo consigo seu amargo tédio, e deixa sabor de dia ruim. Nada poderia confortar o desprazer da tarde que se passou, menos ainda da visita que chegaria a tornar-se hóspede.

03:00 da manhã…

 

Campainha.

 

É fato, soubesse eu antecipadamente quem seria, jamais abriria a porta, rasgaria da maneira mais cretina um “CAI FORA!”  e dane-se a educação…

O olho-mágico mostrava do outro lado algo que eu jamais acreditaria. E duvidei de tal forma que, quase num transe hipnótico, abri a porta. Era preciso testar a veracidade.

 

Rangido.

 

A efígie que acenava aos meus pensamentos era mais que um vislumbre de tesouro antigo, muito mais do que poderia conter minha empolgação.

 

Passos.

 

Vagarosamente, uma figura estonteante misturava-se aos meus batimentos acelerados. Ainda sem face, mas em curvas acentuadas e belas, destacava-se sua roupa intimidante e seu pisar vigoroso.

Sua respiração suave transparecia confiança, nem a corrente congelante de ar que cruzava por sua silhueta era capaz de fazer-lhe tremer.

 

Aspiração.

 

De olhos brilhantes e duros, sorriso sarcástico e face limpa, caminha… Caminha e segue de encontro aos meus olhos curiosos causando temores e arrepios.

 

Sussurros.

 

A pele em brasa encostada em minha face mantém uma paralisia quase sobrenatural. Numa explosão de sentidos embriagados, faz-se sóbrio o lamentar.

Com entonação suave, e venenosa sensualidade, dispõe-se a apresentação cordial.

 

Prazer, Vaidade.


jun 13 2011

Insistência, não Persistência

Por que o ser humano tende a agir de modo estúpido?

Por que algumas pessoas são tão insistentes?

Por que essas mesmas pessoas confundem insistência com persistência?

Está bem, eu sei que são… São mesmo sinônimos… "dicionarizadamente" são a mesma coisa… Mas, deixe-me frasear sobre meus pensamentos pululantes e as reticências intermináveis…

Eu julgo insistência o fato de repetir algo errônea e continuamente… Ou apenas repetir algo inútil ao processo principal em questão. Sei que no dicionário são mesmo sinônimos, mas esta é uma forma que encontrei para, digamos, "clarear" fatos que observo.

Há alguns poucos dias atrás, vi a insistência de alguém trazer mesmo grandes prejuízos que foram muito, mas muito mesmo, além do financeiro. Muitas pessoas ainda não entendem que desafiar de maneira vil a vida trará consequências sérias. E, realmente, para esta pessoa trouxe de maneira severa… Não direi que felizmente, mas acredito que ao menos foi uma resposta que atingiu com a força necessária, ou mais. Acabou, em implicação, atingindo toda a família emocionalmente, e com tamanha crueldade. E, poderia mesmo ter atingido outros indivíduos externos ao processo.

A presunção, e não a ignorância, foi sua maior cruz. E a irresponsabilidade deverá deixar um gosto amargo de culpa.

A Vida deu sua resposta, mais rápida e cruel do que é de costume, trouxe seu fardo tão veloz quanto o escárnio ante ela.

A persistência neste caso, assim como em dezenas de outros absurdos apresentados nos jornais, foi acompanhada de tamanha estupidez, mas era de conhecimento próprio e alheio que um final infeliz poderia surgir a qualquer momento.

A única coisa que eu posso te desejar hoje é força para suportar teus próprios frutos, pois o grão foi semeado e a colheita veio depressa, mais depressa do que a tua capacidade de discernir.